COMPLICAÇÕES OU INTERCORRÊNCIAS CIRÚRGICAS

 
Antes de falarmos sobre este tema tão polêmico, o Centro Médico Veterinário Campinas representado pelo seu proprietário e veterinário Dr. Luciano Ferraz Neto, quer deixar claro que o texto a seguir não tem por objetivo amedrontrar ou assustar os proprietários e sim mostrar uma realidade impossível de ocultar em relação aos riscos inerentes a qualquer prática cirúrgica ( da mais simples a mais complicada) e apresentar nosso diferencial.
 
Gostaríamos de esclarecer que na nossa experiência prática diária tais complicações são extremamente minimizadas com o uso de medidas preventivas, como : exames clínicos e laboratorias pré operatórios; constante atualização e  qualificação de nossos profissionais; aquisição dos mais modernos aparelhos de monitorização (pulso, batimentos cardiacos, frequencia respiratória, saturação de oxigenio , oximetria, curva plasmotigrafica, sensor de apnéia, pressão arterial não invasiva, temperatura) e de anestesia inalatória; protocolos de emergência para as complicaçoes mais graves.
 
Tais medidas nos proporcionam hoje taxas inferiores a 0,05% de complicaçòes graves ( intra ou pós operatórias ) , o que é considerado um sucesso em comparação com a média mundial.
 
 
INTERCORRÊNCIAS E/OU COMPLICAÇÕES CIRÚRGICAS
 
Intercorrência ou complicação cirúrgica é o termo que define a ocorrência de um evento inesperado intra ou pós um procedimento cirúrgico e/ou anestésico.
 
Todo e qualquer procedimento , desde o mais simples até o mais complexo, está sujeito a complicações inesperadas, o que não incorre necessariamente em erro médico. Isso ocorre devido ao fato de que, muito embora o médico veterinário cirurgião e o anestesista veterinário possam realizar o procedimento corretamente, seguindo todos os padrões de segurança e todas as normas técnicas, as reações orgânicas dos pacientes ao tratamento podem variar de animal para animal. Alguns animais podem : apresentar processos de cicatrização que podem ser pior que a média ;  podem ser mais propensos a infecçòes ; terem menor limiar a dor; ter variações anatômicas imprevisíveis, apresentar distúrbios ou doenças ocultas, entre outras... onde é impossível do médico prever.
 
Um exemplo na medicina humana é onde um médico que, ao iniciar uma cirurgia de fígado em um paciente, descobre, durante a cirurgia, que este paciente tem veias a mais em relação ao normal de outros pacientes, e localizadas em locais diferentes, o que pode provocar uma mudança intra-operatória para adaptar-se ao imprevisto, que pode gerar sangramentos inesperados.  Outro exemplo é a de uma paciente que faz uma cirurgia plástica para colocação de prótese de mama. O médico faz tudo corretamente, limpeza, assepsia, colocação absolutamente correta da prótese, e ainda assim a paciente apresenta rejeição à prótese e encapsulamento da mesma e assim por diante. Nestes casos todos os protocolos corretos e passíveis de seguimento pelo médico foram seguidos, e os maus resultados ocorreram em decorrência de reações imprevistas do organismo do paciente. Alergias são outro bom exemplo. É absolutamente impossível prevenir ou prever o aparecimento de alergias quando o paciente não relata ao médico, principalmente na medicina veterinária onde os animais não falam. Tais exemplos são somente uma forma de comparação ilustrativa com a medicina humana, mas existem muitos outros fatores de complicações.
 
Na medicina veterinária apesar de termos poucas complicações, podemos classifica-las como:
 
  • Comuns:  geralmente de caráter reversível e praticamente sem risco ao paciente , como:  dor, coceira, inchaço ( edema), hematomas, retirada de pontos e/ou curativos pelo próprio animal por descuido dos proprietários (na maioria da vezes por desobediência do donos dos animais em relação a colocação  e manutenção de colares elizabetanos ou roupas cirúrgicas e falhas no repouso), ...

 

  • Menos comuns: geralmente de caráter reversível com poucas chances de risco ao paciente , entretando mais trabalhoso para veterinários e proprietários como: infecçao da região cirúrgica, rejeição de fios de sutura ou próteses ( pinos, placas, parafusos, enxertos, telas, fios de sutura,...), deiscência de pontos ( abertura espontânea da sutura cirúrgica no pós operatórios) , fistulação, lambeduras com autotraumatismo na região recém operada, alergias aos medicamentos orais ou tópicos receitados,  ...

 

  • Incomuns: geralmente raros, de prognóstico reservado a mau e apresentando risco de morte ao paciente como: Embolia Pulmomar, Hemorragias ( trans e/ou pós operatórias), choque anafilático, parada cardio respiratória ( trans ou pós operatória), Sepse, Insuficiência renal pós operatória ( indíviduos predisponentes), laceração acidental ( trans cirurgico), Coagulação intravascular disseminada  (CID), Anemia hemolítica imunomediada ( pós cirúrgica), arritmias ( trans ou pós operatórias), ...

 

As intercorrências cirúrgicas são um assunto delicado entre os cirugiões, afinal nenhum médico está interessado que aspectos negativos sejam associados a sua prática profissional e taopouco gostaria de enfrentar problemas de caráter tão relevante e stressante. Na na sua quase totalidade, as complicações não ocorrem por cuidados médicos insuficientes ou de inferior qualidade, mas sim por resultar simplesmente dum estado de debilidade do doente ou de uma reação anormal a um procedimento ou dispositivo, onde na maioria não se tem como prever.

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