EMBOLIA PULMONAR (TROMBOEMBOLISMO PULMONAR)



Embolia pulmonar ou tromboembolismo pulmonar (TEP) é quando um trombo ( coágulo) causa o bloqueio da artéria pulmonar ou de um de seus ramos. Geralmente, ocorre quando um trombo venoso (sangue coagulado de uma veia) se desloca de seu local de formação e viaja pela circulação e acaba ocluindo o fluxo sanguíneo para o pulmão servido por aquela artéria. Acredita-se que o fluxo sanguíneo anormal ( estase), a lesao endotelial vascular e a hipercoagulabilidade possam predispor a formação de trombos. 
 
Tem um índice pequeno e é mais comum em cães em comparação aos gatos ( salvos gatos que tenham cardiomiopatias ). Em seres humanos as intervenções cirúrgicas assim como diversos procedimentos com elas relacionadas, são um dos maiores fatores de predisposição ao desenvolvimento de trombo embolismo pulmonar. Nos Estados Unidos da América existe uma prevalência de 600.000 casos de pessoas por ano, sendo responsável por 5 a 10% da mortes pós cirúrgicas. Na medicina veterinária ainda não existem tais dados computados.
 
A aparecimento da embolia pulmonar e seus sintomas podem ocorrer horas ou dias após um procedimento cirurgico e/ou anestésico ou até mesmo meses em casos de outras etiologias ( ex. hiperadrenocorticismo, nefropatia, ...)
 
Os principais sintomas são: dispnéia aguda ou hiperguda ( falta de ar de uma hora pra outra), ofegação, taquipnéia ( respiração rápida), fraqueza, pulsos fracos, mucosas pálidas ou cianóticas ( mucosas e língua arroxeadas), distensão da veia do pescoço ( dilatação das veias do pescoço), tempo de preenchimento capilar reduzido, taquicardia ( coração acelerado).   Eventualmente podemos ter: sintomas neurológicos (convulsão ou nistagmo(olhos incordenados) ou incordenação ou vocalizaçoes involuntárias,etc..), pupilas dilatadas, vômito ou mimica de emêse ( enjôo), chiados no peito, tosse com sangue, incapacidade de dormir.   Dentre todos os sintomas relatados , os clássicos e patognomônico ( sintomas que é sempre presente) são: a falta de ar (dificuldade de respirar) e ofegação aguda (de uma hora pra outra) onde o animal tem dificuldade de respirar de boca fechada.
 
O diagnóstico é baseado principalmente nos achados clínicos (sintomas ), uma vez que os exames radiográficos, ecocardiográficos, e atualmente disponíveis no Brasil não têem precisão diagnóstica. Em seres humanos os exames de cintilografia pulmonar, angiografia pulmonar por tomografia computadorizada são as modalidade de estudo de imagem mais utilizada atualmente, dando um diagnóstico preciso. Infelizmente tais exames estão longe da realidade veterinária brasileira devido aos seus altos custos em equipamentos e qualificaçào dos profissionais.
 
As principais causas do embolismo pulmonar são: dirofilariose, Cirurgias de grande porte ( principalmente longas), Neoplasias ( tumores), hiperadrenocorticismo ( síndrome de cushing) , cardiopatia, anemia hemolítica imunomediada, cirurgias ortopédicas, nefropatia com perda de proteínas, enteropatia ( doenças intestinais), anestesias, animais que ficam por muito tempo em repouso no leito ( repouso prolongado, deitados ou imobilizados), Pancreatite, Sepse, Coagulopatia intravascular disseminada ( CID), hepatopatia, parto ou pós parto (cesárea ou normal), queimaduras, politraumatizados.
 
O tratamento geralmente é ineficaz , mas drogas anti-coagulantes podem ser usadas na intenção de prevenir novos coágulos. Os trombos já formados e responsáveis pela embolia não respondem ao tratamento. Casos leves , onde os animais têem pequenos trombos ou trombos de vasos menos importantes, devem ser hospitalizados para tratamento em terapia intensiva ( medicamentos, oxigenio, monitoração,...).  A prevenção com uso de anticoagulantes preventivos ,pré ou pós cirurgia, é controverso, uma vez que os mesmos inibem a coagulação e consequentemente podem provocar hemorragias intra-operatórias ( no momento da cirurgia) ou pós operatorias ( após a cirurgia).
 
É uma complicação rara e de pequena casuística , porém real,  e que quando ocorre tem proporções avassaladoras. É difícil prever o aparecimento da doença, principalmente em casos anestésicos ou pós-cirúrgicos, uma vez que os animais ou pessoas geralmente apresentam exames pré-operatórios normais.  
 
O proprietário deve ser rapidamente alertado que o prognóstico é mau e que a doença é praticamente fatal, levando ao óbito do animal rapidamente.

 

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